12 maio 2007

Folha de São Paulo e UNIRE

Confira a matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, sobre mercado de trabalho de babás.

Folha de S. Paulo - SP 28/01/2007 - 08:23
Exigência por qualificação de babás é crescente - Projeto de lei na Câmara pretende regulamentar a profissão no Brasil
Tomás Chiaverini

Viver na casa dos patrões, criar filhos que não são seus, estar 24 horas à disposição e trabalhar até 15 dias seguidos para conseguir uma folga.Assim é a rotina de boa parte das babás, que, entre uma birra e um sorriso maroto da criança, desdobram-se para atender às crescentes exigências dos pais por treinamento em áreas como enfermagem e nutrição.Essa procura por pessoas superqualificadas, aliada ao aumento do número de mães que trabalham em período integral, tem causado a carência de profissionais no mercado.Angela Clara Corrêa, 46, dona de uma escola que treina e agencia babás, por exemplo, recebe 300 vagas mensais para a função, mas diz conseguir preencher só 30% delas por "falta de pessoas qualificadas".Graças à demanda maior do que a oferta, uma profissional com experiência e formação em enfermagem, por exemplo, chega a receber salários que rondam os R$ 4.000 -ainda que em casos excepcionais.Vinda de Minas Gerais há mais de 20 anos para cuidar dos filhos de um conhecido, Cléria Lúcia de Fátima, 39, não ganha tudo isso, mas se considera feliz com o trabalho que encontrou. Para cuidar de trigêmeas, recebe mensalmente R$ 1.600."Gosto do meu trabalho", sintetiza Fátima, que tem uma jornada de dez horas diárias. Quatro anos atrás, quando as crianças eram recém-nascidas, ela tinha de ficar à disposição das trigêmeas o dia inteiro."Com as noites livres, vou me dedicar a um curso supletivo para um dia me formar na área de pedagogia", planeja.RegulamentaçãoVisando à especialização crescente da profissão, tramita atualmente na Câmara dos Deputados um projeto de lei que quer regulamentar a atividade."Famílias e crianças têm sido vítimas de pessoas que trabalham nessa área sem nenhum preparo profissional", justifica o deputado José Divino (PRB-RJ), autor do projeto. "Espero que a aprovação definitiva aconteça em até um ano", diz.O apoio à regulamentação, no entanto, não é unânime entre os que trabalham no setor.De acordo com o bacharel em direito e diretor de negócios da escola de babás Unire, Eduardo Cabral, 40, os melhores profissionais "conseguem se destacar naturalmente no mercado".Para Cabral, a regulamentação da carreira não diminuirá os casos de agressão contra crianças e ainda "criará um processo burocrático que poderá aumentar a informalidade".

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